Criadora de borders dá dicas para quem deseja ter um border collie

Escolher qual a melhor raça de cachorro já é uma tarefa difícil, mas depois que definimos isso, entramos numa dúvida sem fim sobre como e onde encontrar um bom exemplar. Infelizmente, no Brasil, não temos regras claras sobre a criação de animais e isso faz com que muitas pessoas ajam da pior forma possível, cruzando cães com problemas genéticos e diversas vezes mantendo seu plantel em condições deploráveis. Se você escolheu ter um border collie e está lendo este texto, pegamos algumas dicas com Michele Mangini, proprietária do Canil Figueira Border Collies. Confira:

Yupets: A quais questões alguém que quer um border collie precisa estar atento?
Michele: Quando o futuro dono de um border collie for escolher o seu filhote, ele deve pesquisar se o canil tem alguns cuidados e critérios de criação como controle de doenças hereditárias, cores dos pais da ninhada e até mesmo a preservação de suas matrizes, respeitando a idade correta para a primeira cria (dois anos de idade), o descanso entres os cios e o período de procriação enquanto são adultas, sem entrar na idade sênior, quando o cão atinge o último terço de sua expectativa de vida (aos oito anos de idade).

Yupets: Você falou sobre a escolha correta das cores dos pais…
Michele: A criação da raça border collie é bem complexa e é preciso levar em conta diversos cuidados que vão além da questão das doenças genéticas. O que muitos leigos não sabem é que é preciso ter cuidado com quais cores podem ou não acasalar entre si. A cruza entre cães merles, por exemplo, é proibida e extremamente perigosa. Cores como o sable e o vermelho australiano também exigem cuidados específicos que envolvem gerações ascendentes. Isso sem contar o predominante branco, ainda que não albino. Algumas dessas combinações podem resultar em filhotes cegos, surdos e com deformação facial.

Yupets: Na sua opinião, quando um filhote de border collie está preparado para deixar sua mãe?
Michele: Essa é uma questão muito importante. Após 60 dias de vida e nunca antes disso. Para que o cachorro seja um adulto mais seguro, ele precisa da convivência com a mãe por, no mínimo, dois meses. Acredito que esse ponto entra na questão da saúde emocional de um filhote. A imunidade também deve ser levada em conta, pois mesmo quando liberado para ir para a outra casa, o cão deve ter o mínimo possível de contato com ambientes contaminados por outros cães. É fundamental, antes do término das vacinas, que os novos tutores respeitem o protocolo do médico veterinário.

Yupets: Além da vacinação correta, quais as outras orientações que você costuma dar aos novos donos?
Michele: A vermifugação periódica é muito importante. Seguir a administração correta de vermífugos evita toda e qualquer possível infestação de vermes que, em alguns casos, podem ser fatais. Além disso, indico sempre que deem uma ração super premium, seguindo a quantidade diária especificada pelo fabricante de acordo com a idade e peso do cão. Para os borders, gosto de indicar rações que tenham condroitina e glucosamina em sua composição, pois são substâncias que preservam as articulações.

Yupets: Existem alguma outra questão importante a que as pessoas interessadas em borders devem levar em conta?
Michele: Ainda que eu cite este ponto somente agora, ele não é menos importante. Eu diria que é ideal avaliar com franqueza se você tem o perfil ideal para ter um border collie. Leve em consideração questões como rotina, objetivo, condição atual e se pergunte: “eu poderia ser um dono ideal para essa raça?”. Um border collie precisa de muita atividade e isso pode incluir adestramento, esporte, brincadeiras, caminhadas e aventuras, tudo que seja capaz de exercitar a inteligência e diminuir a energia deles. A pessoa pode ter um quintal enorme, mas se deixar seu border lá, sem atividades regulares, ele certamente vai procurar o que fazer e geralmente não fará algo que te deixará feliz. A raça mais inteligente do Mundo não nasceu sabendo de tudo. A pessoa deve ensiná-lo e direcioná-lo sobre o que é certo ou não. Assim, a convivência será feliz e saudável.