Criadora de borders fala sobre a importância do controle genético

Michele Mangini, também conhecida como Mimi, é proprietária do Canil Figueira Border Collies, no interior de São Paulo. Apaixonada pela raça, ela se dedica à criação há sete anos e diz se identificar muito com estes incríveis pastores. “Costumo dizer que são doidos como eu. São cães alegres, ativos, brincalhões, rústicos (posso apertar sem estrangular porque são grandes), são carinhosos e exigem nossa atenção”, define.

Para Michele, que descobriu nos borders a raça perfeita, estes cachorro têm particularidades que realmente fazem com que fiquemos “viciados” neles. “Borders são como Elma Chips, é impossível querer um só”, ela brinca. “Amo o olhar alucinado por uma bolinha e ao mesmo tempo o olhar doce de quem quer colo. Além disso, eles me dão a sensação de que entendem perfeitamente o que estou falando”, afirma.

Tanto amor e dedicação não poderia ser em vão. Pensando no bem-estar de seu plantel e na satisfação de todos aqueles que adquirem filhotes de seu canil, Mimi preza muito pela saúde de seus animais e realiza controles genéticos rigorosos. “A raça exige o controle de algumas doenças hereditárias como a displasia coxofemoral e o CEA (Collie Eye Anomaly), então realizamos exames específicos para elas a fim de garantir que tudo está bem e que essas doenças não serão passadas adiante”, conta.

“A Displasia Coxofemoral (DCF) é uma doença caracterizada pela incongruência e degeneração da articulação da bacia (acetábulo) com a cabeça do fêmur. A grosso modo, é aquela doença que pode ‘descadeirar’ o cão. O diagnóstico é feito por meio de radiografia coxal, sendo o resultado avaliado em cinco graduações. Já o CEA (Collie Eye Anomaly) é uma anomalia nas córneas, afeta a anatomia normal da retina e de outras estruturas mais profundas do olho. Pode causar descolamento de retina ou até a cegueira completa. O diagnóstico é feito por meio de material genético (sangue ou saliva). Sendo o resultado avaliado em três condições”, explica.

“Diferente da DCF, o CEA é uma doença que pode ser estendida a garantia por parentesco, pois além de ser hereditária, ela é congênita. Quando ambos os pais são livres da doença, nenhum de seus filhos serão afetados, sequer carregarão o gene pra sua prole”, revela Michele.

De acordo com ela, todos os cachorros do Figueira Border Collies são testados. “Aqui em nosso canil, costumamos realizar um raio x entre um ano, um ano e meio, e outro após os dois anos de idade, quando a formação óssea está completa. Nessa época, é emitido o laudo definitivo. Esse exame é muito importante porque uma de suas causas é o fator hereditário, quanto maior o grau de parentesco entre cães displásicos, maior a probabilidade da sua prole ser displásica também. Portanto, filhotes de cães livres de displasia diminuem em grande percentual as chances de nascerem com a má formação óssea que caracteriza a doença”.

Nesta entrevista, Michele faz um alerta para todos: “Infelizmente não existe 100% de garantia pra displasia coxofemoral, mas um criador responsável não pode se dar o luxo de não testar os seus cães antes de colocá-los para procriar. É o minimo que podemos fazer para o bem-estar dos filhotes. É muito triste adquirir um filhote, que será um pet, um membro da família, que viverá mais de dez anos e, de repente, descobrir que ele terá uma doença que o limitará a ter qualidade de vida, causando o sofrimento dele e da família toda. Além de toda despesa envolvida que muitas vezes não estarão preparados pra arcar por uma emergência ou uma vida toda”.

Para mostrar o quanto leva a sério toda essa questão dos exames, Michele faz algo pouco comum: posta laudos no Facebook de seu canil “provando” a qualidade de seus cães e a idoneidade do seu negócio. “Acho muito importante ser transparente. Faço isso virtualmente, digitalmente e fisicamente. Quando a pessoa tem a oportunidade de visitar nosso canil, esses laudos podem ser vistos em mãos. Independentemente disso, faço questão de encaminhar uma cópia dos laudos dos pais junto com o pedigree, para que a pessoa tenha com ela estes documentos numa futura necessidade de consulta. Quando adquiri os meus cães, exigi isso, e acho justo fornecer aos amigos que adquirem um filhote nosso o mesmo que eu exigi quando estive no lugar deles. A ideia de postar fotos dos laudos e também em alguns casos do raio x veio espelhada no que vejo os grandes criadores idôneos do País fazerem. Os bons exemplos existem pra serem seguidos, assim como os maus exemplos pra serem evitados. Gosto de aprender com eles e graças a Deus tenho bons relacionamentos no meio. Aprimorando alguns detalhes, errando menos. Meu lema é fazer com excelência”.

Sobre o suporte que dá aos futuros donos de borders, Michele é clara: “Minha transparência não acaba no dia em que a pessoa leva pra casa o filhote. Gosto de acompanhar o desenvolvimento dos filhotes junto às suas famílias e dedico tempo de qualidade dando assistência sempre que precisam. Eles se tornam meus amigos pessoais na maioria das vezes e não será novidade me ver em fotos com os filhotes depois de grandinhos também”, se orgulha.

Para entender melhor sobre as enfermidades citadas acima, Michele preparou uma tabela explicativa para os leitores do Yupets:

tabela-displasia-coxofemoral_-_yupets

tabela-border-collie-eye-anomaly_-_yupets